Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Entre duas gargalhadas..

 

Há momentos em que nos silenciamos.
 
Há momentos em que, depois de tantos sorrisos, entramos em casa sozinhos e as lágrimas descem pelo rosto sem pedirem permissão.
 
Não é a história que queríamos ler, não é a história que queríamos ter.
Não é o ponto final da história da nossa vida.
É apenas e só um momento, um instante em que nos sentimos pequenos, insignificantes.

É o breve instante entre duas sonoras gargalhadas.
 
Depois de tantos sorrisos, entramos em casa sozinhos e as lágrimas descem pelo rosto sem pedirem permissão.


publicado por Sarna Literária às 00:56
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
“Menino” Apaixonado!

 

Chuva que te cai no rosto e que te esconde as lágrimas, assim caminhas tu, cabisbaixo para casa.
 
Fervem-te os pensamentos em contraste com o frio que se faz sentir. Passos pequenos embora a chuva caia com mais intensidade. Não queres ir já para casa, não para essa casa, onde ela não está, onde cais em rotina e não sentes o bom que é amar e ser amado. Não queres agora, só agora, porque o dia foi demasiado longo, demasiado escuro, demasiado sem sal.
 
Divagas entre pensamentos patéticos a pensamentos vazios. Consegues nem sentir a chuva, esquecer porque choras. Consegues atravessar a cidade em busca do nada. Sem sentidos.
 
Por um instante, um arrepio percorre-te a alma.
Está a correr rua abaixo um turbilhão de vento e água, está a correr o tempo, tanto tempo sem o seu doce e meigo olhar e a sinceridade de ouvir um simples gosto de ti.
 
Limpas as lágrimas, mas não a chuva que te ensopa e se entranha até aos ossos.
Corres até casa, mas não estarão ainda juntos.
 
Amanhã, sim, pensas.
Amanhã dir-lhe-às tudo ou ficarás em silêncio, de mão dada, a ouvir o mermurio das ondas.


publicado por Sarna Literária às 23:24
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Sensações

 

Poucas ideias que realmente importam pôr no papel. Mais sentidos, sensações e vertigens, mais arrepios, vontades, desejos, mais desencontros, repetição, ilusão, mais medo do que amor próprio.
 
Nem tudo pode voltar a ser o que foi. Bem como nem sempre podemos querer voltar a sentir a mesma felicidade, nos mesmos sítios e com as mesmas pessoas. Posso voltar, uma e outra vez, mas se teimares em não aparecer, ficarei sozinha, entre a rocha e o mar que a beija, entre a doçura do crepe de canela e o salgado mar que rebenta aos teus pés.
Hoje, mais do que alguma vez, sinto que não cuidei de mim o suficiente para me tornar bela aos teus olhos, hoje mais do que ontem, sinto que perco, a cada dia, um gesto teu, uma luz terna ao olhar o horizonte, um simples e quente toque.
 
Nem tudo o que pode voltar a ser, o é.
Bem como não posso mais fugir de ti, mas muito menos de mim.
 
Quando acabar, saio lá fora, e grito que sou livre, mesmo quando te amo, mesmo quando me amas e cuidas, mesmo quando de rebelde nego tudo e fecho olhos, fingindo ser de noite.
 
Poucas as ideias que posso pôr no papel, sentindo. Género, número e grau, desigual, porque tantas vezes dói amar, e tantas vezes pode doer não dar esse amor.


publicado por Sarna Literária às 21:11
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Segunda-feira, 30 de Março de 2009
O Divino Palhaço da "Criação"

A capacidade que o Homem tem para o pensamento abstracto e para a imaginação, que parece faltar à maioria dos outros seres (senão todos), conferiu-lhe claramente o seu actual “domínio” sobre a superfície da Terra. Um domínio mesquinho que até então era disputado por milhões de minúsculos insectos e organismos microscópicos quase imutáveis e de lenta evolução, conforme lhes era permitido pelas raríssimas mutações no seu genoma. Surge o Homem e o mundo, até agora ambiente dos seres, torna se ser do ambiente humano.
            Esse domínio, juntamente com a sua imaginação, conferiu ao Homem a ideia antropocêntrica, no qual este se encontra no topo, ao lado de Deus, sentado na perfeição. Porém, no meio de tantos seres e de tantos animais, o homem é o mais informe e ridículo. O mais rafeiro e banal dos cães consegue ter sentidos mais apurados e é infinitamente mais corajoso, para não dizer mais honesto e menos hipócrita. As formigas e abelhas são, de várias formas, mais engenhosas e gerem os seus sistemas de governo e de sociedade (ainda que considerados como “arcaicos”) com muito menos confusões, desperdícios e imbecilidades. O antílope é mais rápido e gracioso e o leão que dele se alimenta é certamente mais poderoso, se nos referirmos apenas ao Homem em si, sem a ajuda do ambiente criado por si. Qualquer gato doméstico é mais limpo, o cavalo, mesmo suado, cheira melhor e o gorila é por várias vezes mais gentil com os seus filhos e fiel à companheira. Mas, acima de tudo, o Homem é deficiente em “coragem”, talvez a mais nobre de todas as qualidades abstractas por ele criadas. O seu terror mortal não se limita apenas a todos os seus animais do seu próprio peso, ou mesmo de metade do seu peso – excepto uns poucos que ele foi degradando por cruzamentos artificiosos e selecção artificial – o seu pavor mortal atinge patamares mais elevados quando perante alguém da sua própria espécie – e não apenas dos seus punhos, pés e armas, mas até dos seus risos.
Todos os erros e incompetências do “Exmo. Sr. Criador Perfeito da Natureza” (leia-se com algum sarcasmo) parecem ter chegado ao clímax divino no Homem. Como peça de mecanismo, o Homem é o pior de todos os outros produtos do “Exmo. Sr. C.P.D.N.” (leia-se com um sarcasmo redobrado); comparados com ele, até um salmão ou o mais ridículo dos pássaros são máquinas sólidas e eficientes. O Homem transporta os piores rins conhecidos na zoologia comparativa, os piores pulmões e o pior coração. O “Criador” de tal bronco aparelho deveria ser surrado pelos seus fregueses. Ao contrário de todos os outros animais terrestres, marinhos, o ser Humano é actualmente incapaz de se viver sozinho no mundo natural. Precisa de viver no mundo criado por ele, de se vestir, proteger e armar-se para sobreviver, encontrando-se sempre na posição de uma tartaruga que nasceu sem a carapaça, de um cão sem pêlos, de um tigre sem garras. Sem as suas sucessivas criações, torna-se indefeso até contra as moscas e Deus nem lhe concedeu uma cauda para as espantar.
O Homem é então, na sua essência mais simples, um ser desajeitado, frágil e tosco, apenas lhe valendo uma mente capaz de criar utensílios e formar sociedades cada vez mais intrincadas, cada vez mais envenenadas. É um ser amargurado que, ao contrário do que pensa, tem como fraqueza, não apenas a imperfeição do seu maquinismo, mas também a sua vida vaga e vazia de significado.
            Não é de surpreender que a imaginação do Homem, que tanto teima em colocá-lo no centro de um Universo frio e escuro que não é de ninguém, seja a culpada por esta singular fraqueza. Tal capacidade foi o que lhe permitiu dar o primeiro salto sobre os seus colegas primatas, avançando uns (numerosos e numerosos) anos de evolução em relação a estes. Permitiu-lhe visualizar na sua mente uma condição de existência melhor do que a sua e, pouco a pouco, tornou-o capaz de retocar esse quadro cru da realidade cinzenta e dolorosa com alguma fantasia e alguma cor. Ainda hoje ele se mantém dessa forma – pensa em qualquer coisa que gostaria de ser ou ter, algo bem melhor do que o que ele ou outro já tem e então, por um processo custoso e difícil, de erros, acertos e remendas, vai tentando chegar ao que quer, sem se aperceber de que é apenas mais uma formiga fútil de um grande formigueiro – a sociedade por ele criada. Durante o processo é muitas vezes punido pelo seu descontentamento ou com as leis de um Deus – fruto da imaginação de outrem. Rói as unhas, coça o queixo, sofre, chora, tropeça, cai e, finalmente, o prémio que ele tanto buscava derrete-se nas suas mãos, marcando o início de mais um ciclo que precederá outro e mais outro e outro mais até ao dia da sua morte, em que os mesmos micro organismos que disputavam a terra se alimentarão dele como se alimentam de qualquer outro pedaço de matéria orgânica morta. Infelizmente, nunca se contenta com este processo lento e sanguinário. Está sempre em busca de algo cada vez mais distante. Vive a imaginar coisas inexistentes além do arco-íris. Este corpo de imagens constitui o seu stock de doces credulidades, fé e confiança – em suma, o seu fardo de erros. E este fardo de erros é que distingue o homem, mesmo acima da sua capacidade de chorar, do seu talento para mentir, da sua excessiva hipocrisia e bazófia, relativamente a todas as ordens de mamíferos, incluindo a sua própria espécie. O homem é, par excelente, um ingénuo incomparável, o bobo da corte cósmica. Ele é crónica e inevitavelmente enganado, não apenas pelos outros animais e pelas artimanhas da natureza, mas também (e mais particularmente) por si mesmo – pelo seu incomparável talento para pesquisar e adoptar o que é falso ou lhe é impingido, e por negar ou desmentir o que é verdadeiro.
            O ser humano tornou-se ao longo do tempo um mero utensílio da sociedade. Cada um pensa que vive a sua vida, que é único e especial, sem se aperceber do mero peão que é num tabuleiro de xadrez ainda maior. É despejado e cuspido para o mundo por um antepassado, que finalmente se sente, no seu subconsciente, cumprido por deixar a sua carga genética mais uns anos no mundo, no interior de um herdeiro que passará pelos mesmos tormentos da vida que ele passou enésimas vezes, e de seguida absorvido pela sociedade. O mundo abre-se como um sonho promissor e aparentemente frutífero perante a nova vida, que é então consumida pela sociedade que a “educa” e lhe transmite o seu saber, os seus vícios, os seus dogmas para de seguida ser posto ao serviço, não dos seus próprios sonhos (oh, quão impossíveis são), mas dessa máquina cruel que é a sociedade.
            Essa máquina oleada tornou-se auto sustentável – elimina as peças soltas que lhe são inúteis e que para si não contribuem, ou seja, destrói tudo aquilo que contraria o seu funcionamento – criminosos, génios, revolucionários, visionários, “sociopatas” que tentam reverter a ordem desse sistema ou que sejam “inconvenientes” para uns são apagados. As bases da sociedade foram-se edificando sucessivamente desde a antiguidade quando certos homens, que inventaram novas imbecilidades, receberam salvas de palmas e se tornaram donos da verdade para as grandes massas. Se dermos um giro pelos últimos anos da sociedade descobriremos que uma esmagadora maioria dos ídolos populares do Mundo não passaram de casos baratos de nonsense.  Mas que mesmo assim, ainda hoje, as suas ideias se fazem valer. Tem sido assim na política, na religião e em qualquer outro departamento do pensamento humano e tudo isto começou desde que o primeiro gorila “avançado” vestiu cuecas e saiu para dar conferências, para filosofar ou para espalhar a fé. A verdade tem se erigido ordenadamente sobre bases incertas do passado das quais a sociedade nunca abdicará, sob o risco de baquear sob si mesma deixando as pobres formigas desorientadas. Tais bases já sofreram alguma oposição, uma vez ou outra, de críticos que denunciaram os seus criadores como charlatães e os refutavam assim que abriam a boca. Mas, ao lado de cada um desses “cabotinos intrujões” havia a titânica força da credulidade humana, e isto bastava para que os seus inimigos fossem destruídos e a sua própria imortalidade fosse estabelecida.


publicado por Sarna Literária às 12:59
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...



publicado por Sarna Literária às 12:57
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
Um dia…

 

 
Um dia ri contigo, depois de chorarmos, de suarmos
Um dia chorei contigo, depois de nos revelarmos e amámo-nos
Um dia foste quase nada, um olá mais no meu bom dia
Um dia foste quase tudo, um quero mais, como à vida
Um dia quis que fosses meu, e aprendi tal como diz a canção
que ninguém é de ninguém
Um dia quis que me levasses, depois de saber que não posso ir
Um dia pedi que ficasses, depois de ver que tinhas que partir
Um dia vou perguntar aos céus, porquê te amo tanto…
E quando a resposta chegar, não estarás cá para ouvir…
Um dia a mais, um dia a menos, não vão importar mais…
Não vão fazer-me querer-te de outra forma
Vou esperando, vou amando como sei que toda a minha vida te esperei…
Quando chegar o fim do nosso longo caminho estarei feliz, mesmo que não o seja
Nesse dia, não vou sentir-me sozinha, mesmo que ninguém, nem tu estejas a meu lado
Sei que, um dia, esse teu caminho, será o mesmo que o meu, e isso basta-me …
Um dia lá atrás, aqui, ainda longe
Quem sabe um dia que já vivemos juntos
Quem sabe um dia que ainda possamos partilhar
Um dia encontrei-te, e rendi-me ali
Aceitei todo o resto dessa indomável força bruta da minha existência
Sem mais defesas, baixei as armas, sem querer fazer mais perguntas
Um dia, o teu olhar, a tua brandura, deixaram-me sem palavras
Depois de pensar que em mim tudo era parte desconcertada sem nexo neste universo
Senti-me o centro da gravidade com a tua mão na minha,
Percebi, porquê valera a pena esperar mais um dia
Um dia, sei que vais servir-me de terapia, por isso quero guardar-te
Quero curar-te, porque sei que também estás doente de mim
Quero poder devolver-te o que me deste, um dia…
Um dia contigo e eu equilibro-me perfeitamente, no fio que me leva bamboleando
por todos os outros dias, sem ti…
Um dia, eu cairei… mas não hoje…
Hoje é apenas um dia
e… tu sabes que estás aqui… !


publicado por Sarna Literária às 04:01
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
Carrossel

Faltam-me as palavras
Mas o pensamento não pára
Como um carrossel desgovernado…
Atormenta-me esta apatia
Esta necessidade bruta de me sacudir para lado nenhum
Viro-me do avesso, e de mim não cai nada…

 

Secaram-me todas as lágrimas
Desmontou-se todo o meu corpo
Encolheram todos os meus tecidos
Já não sei que líquido corre nestas veias
Apaguei-me em todos os meus circuitos
E não sinto nenhuma paz…

 

 O meu coração reclama
Pede força, pede vida, pede alento…
A minha alma não quer sossego
Os meus olhos não querem descanso
Vive em mim uma certa inquietude
Que atropela qualquer pedaço de razão

 

Tantos precisam de mim, certa segura
E eu não estou, não sou capaz…
Não há ancora alguma, qualquer raiz
Nesta pessoa que hoje sou

 

Vagueio insistentemente
Sempre pelos mesmos lugares
E dou com tudo, com todos
Menos comigo…

 

Desconheço a forma
Em que se terá transformado a minha massa
Depois de tudo…
Depois de nada !

 

Já dei tantas voltas, e não me encontrei
Que já não me iludo… e estou infinitamente cansada…
Se não sei onde estás
Não sei para onde vou !…

 



publicado por Sarna Literária às 21:01
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(im)Perfeição

Não há toque de lábios tão perfeito
nem toque de mãos,
corações acelerados em compasso perfeito.

 

Não há sequer outro momento como este,
doce e terno olhar depois do fogo ardente
em suor e desejo.

 

Não há toque de lábios tão perfeito
nem sabor assim,
sereno em pauta inacabada.

 

Não há sequer outro momento assim,
porque a perfeição está no olhar e no sentir,
e na posição perfeita desta lua cheia!

 

 



publicado por Sarna Literária às 16:45
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…Naufrágio…

 

Tudo parou…


Quando eu mais temia, que o tempo corresse
Custa tanto estar
demora tanto a passar

 

Nada sou neste tempo
Não me dou, não estou
Não sou daqui

Desaprendi de tudo

 

Atraquei nesta ilha
Estancou o meu sorriso
Algo muito forte me barrou
Tudo parou…

 

Impede-me de seguir…
Encontrei-te? …Perdi-me!
Entrego-me como,
Se jamais me pertenci?

 

Não te assustes!
Porquê resgatas esta missão?
Era tua essa mão,
que me estendeu a vida, o amor!?

 

Estou desprendida, e agora?
Estou nua, ferida?
Sou tua…


Cuidas bem de mim por favor!?



publicado por Sarna Literária às 15:50
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
Dizem que a principal diferença deste para o outro, é que no outro eram câmaras de gás, aqui são elevadores...

 

 

 



publicado por Sarna Literária às 21:56
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A CINDERELA PORTUGUESA

 

Em 2012, Portugal deverá ter mais carros por habitante do que o Japão. Em 2008, os portugueses esgotaram viagens para o Brasil. O português não tem dinheiro, está endividado até 2043 e, no entanto, não pára de gastar dinheiro em carros e viagens. O português é mesmo uma contradição com pernas: trabalha como um marroquino mas quer os luxos do escandinavo. O português mantém-se... português durante a semana (isto é, trabalha devagar e devagarinho), mas, no fim-de-semana, calça um sapatinho mágico e transforma-se numa ´cinderela` dinamarquesa (isto é, finge que tem uma carteira nórdica até à meia noite de domingo).  Governar Portugal implica confrontar os portugueses com o seguinte: meus caros, não podem trabalhar como napolitanos e, ao mesmo tempo, exigir o estado social dos bávaros.


publicado por Sarna Literária às 14:10
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Por um folhado de transportes públicos! (verdadeiros diamantes)

 

Voltemos então à razão central da existência deste espaço: fazer perguntas. Foi com este intuito que ele foi criado, e tem o objectivo de procurar perguntas profundas que nos façam questionar a rotina do pensamento.
Assim sendo, deixem-me partilhar convosco os meus pensamentos, rotinados.
Saí de casa ontem, para uma montanha russa de transportes públicos, comboio, metro e autocarro, e observei que há questões transversais a todos eles.
Primeiro é de notar que estava muito frio em todas as paragens, e havia sempre em cada uma dessas paragens, uma velhota que dizia acerca da chuva: "Isto é tudo neve!" Embora fosse sempre chuva.
Depois comecei a ser inundada de dúvidas:

Dúvida número 1: Porque é que as vozes que anunciam nos metros, autocarros e comboios as próximas paragens, os interfaces, etc...são sempre vozes de mulheres? Não fica bem um homem a dizer próxima paragem campanhã interface multimodal?

Dúvida número 2: Porque é que a partir de certa idade as mulheres portuguesas, para além da carteira, ou mala, andam sempre com um saco de plástico ou de papel? Façam a experiência e repararão, não há senhora de respeito que se preze que ao atingir determinada idade, não se faça acompanhar de mais um saquinho. Para quê? Não sei, gostava eu de saber o que levam naqueles saquinhos, algo que não se pode perder no meio da carteira com certeza...ou então compras...simplesmente. Não deixa de ser curioso. Se alguém souber a resposta, diga. A melhor resposta terá direito a um saco de plástico.

Chegado à casa da música, todas estas dúvidas fizeram-me fome. Decidi ir comer qualquer coisa. Expostos no bar estavam dezenas de folhados, todos iguais, por fora. Então perguntei:
-Os folhados são de quê?
Ao que a senhora respondeu -Ui! Tem de tudo, qual é que quer?
-Por acaso se me dissesse de que é que são, tornava a minha escolha, uma escolha.
-Olhe, tem de atum, maçã, pizza...
-Pizza? Folhado de pizza? - pergunto eu na minha ignorância.
-Sim, de pizza, quer?
-Pode ser, e não tem um folhado de pão de alho para começar? Já agora junte também um folhadinho de Ice tea, fresco. Meta tudo num saco de plástico, é para levar!

E lá fui eu com um saquinho também, a minha parte mais feminina.
Fantástico, um folhado de pizza! (Sim tinha uma coisa tipo polpa de tomate dentro.)
Quem é que se lembra disto? Qualquer dia há folhados de tudo. Amanhã.

O gajo que os inventa deve viver num folhado gigante.
Não tem filhos, tem afolhados.
E para entrar em casa como faz? Usa um pastel de chaves? Isso pode ser perigoso, qualquer gajo entra numa confeitaria e traz um folhado desses. E depois, se lhe assaltam a casa? O melhor é fazer um seguro do recheio...

Bem, recheado seja o vosso Natal! Obrigado pelas visitas, e parabéns ao Jesus, já lá vão mais de dois mil!


publicado por Sarna Literária às 13:28
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Muda..

 

 
Mas começa devagar,
porque a direcção é mais importante
que a velocidade.
 
Senta-te em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde. Muda de mesa.
 
Quando saires,
procura andar pelo outro lado da rua.
Depois, muda de caminho,
anda por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
tu passas..
 
Apanha outro autocarro
Muda por uns tempos o estilo de roupa..
Dá os teus sapatos velhos..
Procura andar descalço alguns dias.
 
Tira a tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque
e ouvir o canto dos pássaros.
 
Vê o mundo de outra espectativa.
Abre e fecha as gavetas
e portas com a mão esquerda.
 
Dorme do outro lado da cama...
depois procura dormir em outras camas.
 
Vê outros programas de televisão,
compra outros jornais
lê outros livros,
vive outros romances.
 
Não faças do hábito um estilo de vida.
Ama a novidade.
Dorme mais tarde.
Dorme mais cedo.
 
Aprende uma palavra nova por dia
numa outra língua
Corrige a postura
come um pouco menos
escolhe comidas diferentes
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
 
Tenta o novo todo o dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
A nova vida.
 
Tenta.
Procura novos amigos.
Tenta novos amores.
Faz novas relações.
 
Almoça em outros locais,
vai a outros restaurantes,
toma outro tipo de bebida
compra pão em outra padaria
Almoça mais cedo
janta mais tarde ou vice-versa.
 
Escolhe outro supermercado...
outra marca de sabonete,
outra pasta de dentes...
toma banho em novos horários.
 
Usa canetas de cores
vai passear em outros locais
Ama muito,
cada vez mais
de modos diferentes.
 
Troca de bolsa
de carteira
de malas
Troca de carro
compra novos óculos
escreve outras poesias.
 
Deita fora os novos relógios
quebra delicadamente
esses horrorosos despertadores.
 
Abre conta em outro banco
Vai a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visita novos museus.
 
Muda.
Lembra-te de que a Vida é uma só.
E pensa seriamente em arranjar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
 
Se tu não encontrares razões para ser livre,
inventa
SÊ criativo.
 
E aproveita para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
 
Experimenta coisas novas
Troca novamente
Muda, de novo.
Experimenta outra vez.
 
Tu certamente conhecerás coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
Mas isso não é o que importa
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
 
 
SÓ O QUE ESTÁ MORTO NÃO MUDA!

 



publicado por Sarna Literária às 13:05
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Sábado, 6 de Setembro de 2008
Um dia..

 

Talvez um dia, a minha obra
Fosse exposta numa galeria..
 
Porque..
 
Talvez tenha a ver
Com o seu dom
 
De poder extrair a beleza
Que em tudo existe..
 
Poder capturá-la e colocá-la
Numa parede
Para que todos a vejam.
 


publicado por Sarna Literária às 05:11
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Notícias

 

Já era a 4ª Semana
Em que não dormia
Pouco a pouco
Deixei de pensar em ti
E arrastei-me até ao presente.
As 8 horas a mais da minha vida..
Não aquietaram o efeito do tempo
Os minutos, pareciam horas
As horas, tornaram-se dias
E os dias submergiam-se
No rio rápido do tempo.
Com a sua pele clara, leitosa
A sua delicada figura..
Através dos seus olhos
Podia ver o mundo.
Ele tinha desfeito o feitiço
Pela primeira vez em semanas
pude dormir.
Dormi até a tarde do dia seguinte.
A má noticia é que o tempo voa..
A boa notícia, é que és tu o Piloto!


publicado por Sarna Literária às 05:00
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Domingo, 6 de Abril de 2008
...

Feliz assim por teres tudo o que sou?
Feliz por perderes tudo o que sei?

Só não te dou o que não serei.
Não, a minha morte, não ta dou.



publicado por Sarna Literária às 08:20
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Quem sou eu!?

 

Quem sou eu?
Uma mulher incomum.
A luz e o breu
Exótica e comum.

Sim, isso é possivel
Sou oscilante...
As vezes erro, em outras sou incrível
Eterna inconstante...

Amo infinitamente
Apaixono-me, enlouqueço.

Os meus olhos são um poço infinito
De amor, encantamento, bondade
Olha-os por um minuto
E verás toda a verdade

Eu não sou perfeita
Nem dona da verdade
Mas sou dona de mim
Dona das minhas vontades.

Só espalho a minha essência no ar
O meu amor, os meus desejos..
Escrevo o que a minha alma grita
Goste quem gostar...

Sou quem..

Alguém que te pode fazer rir
Como também chorar...

Porque sou transparente
Sou verdadeira
Amante da vida
Guerreira

Darei-te o meu
colo..
abraço..
Darei-te o meu coração..

Eu não sei amar pouco
ser pouco
dar pouco
Ser pouco mulher

Sou uma mulher que se conhece e se permite
Alguém que ousa e arrisca
Uma mulher que ri, chora, ama, goza
Alguém sem medo de ser feliz!


publicado por Sarna Literária às 05:14
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Instinto Selvagem

Confessei-te a minha fera
Tenho alma de felina sim.
Puma, leoa, pantera, lince
Todas elas habitam em mim.

Tenho juba
Tenho força
Garra, cheiro de mata
Cheiro selvagem.

Olho-te sedento
Olho no Olho
Fico de quatro
E solto a juba
Faço-te minha presa
Amo-te sem pressa...



publicado por Sarna Literária às 05:07
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008
Há uma razão pra tudo..

 

...excepto para os cães de louça. Não há razão absolutamente nenhuma para que existam cães feitos de porcelana fina. No fundo seja do que for, fazer cães de tamanho quase real, esculpidos cuidadosamente em louça, ultrapassa o meu conceito de sanidade mental. O que leva alguém a ter uma ideia como esta? De certeza que bebeu uma cola pouco fresca, ou comeu tartes de maçã com ketchup. Eu acho que as pessoas não entenderam bem o que quer dizer: "Quem tem medo compra um cão." Eventualmente estes cães afastarão ladrões feitos de porcelana. Acredito que sim. Mas o que é que um ladrão feito de porcelana vai roubar? Um paninho do pó? Se eu fosse uma profissional do assalto a domicílios, sentir-me-ia insultada por este tipo de objectos. Abria a porta, via um cão de louça, AH!!..e fugia cheio de medo a sete pés (os meus dois, os quatro do cão ..e o pé de cabra). Assim, é simpático para estes profissionais acolhê-los com um cão de qualidade, vá, um ser que os receba com uma simples e simpática ameaça física. Um cão destes, tá sempre em pose, nunca falha nas suas tarefas, mas é completamente inútil e ainda por cima incomoda bastante, faz lembrar o Sócrates. O problema é que este tipo de adornos, só melhora a imagem que temos dos assaltantes. Imaginemos o assaltante a forçar a entrada numa casa, deparando-se com uma família inteira de cães de louça (credo!). Pega num pau e parte aquilo tudo. Dizemos que o gajo parte a louça toda! Sinónimo de "É um gajo do caraças!", claro livrou-nos do martírio que nos atormentava. Ah que alívio, já não temos de olhar mais para aquilo. Se o meu amigo Bertoldo fosse vivo diria: "Há gajos que partem a louça um dia e são bons, Há os que vão partindo aqui e ali e são melhores, Há os que partem muito a louça e são muito bons, Mas há os que partem a louça toda, e esses são os imprescindiveis.


publicado por Sarna Literária às 07:27
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